Dois mil e vinte foi capaz de tudo… até de transformar o primeiro de janeiro, que sempre foi o aniversário do papai, em apenas Ano Novo.
É o que temos: a possibilidade de um ano completamente novo. Não sei se melhor. Espero, com a esperança que é minha cara, que positivamente novo em todos os aspectos.
Perdemos o medo do pior… Pensando bem, parece que nunca tive medo do pior. Mas digamos que ele tem caprichado em forma e efeitos.
O sorriso que vai embora, não sai nunca mais de nós. E acabamos ficando assim… meio tortos de esperança, meio viciados em acreditar que as pessoas podem aprender e melhorar.
Seja como for, foi um ano de muita dor, e muitos desafios, mas consegui passar pelo Covid, sem ir para o bico de corvo (uma vez mais) e sem ver isso acontecer com meus amores mais próximos.
Parece que foi a pandemia da faxina e, assim, vão sendo deixados para trás, roupas e sapatos que só eram bonitos e não traziam conforto. A aparência, quando nossa vida é quase toda indoor, só importa se acrescentar sensações e afetos.
Já não temos tempo para futilidades e fingimentos. Sai tudo que devíamos e entra uma boa dose do gostaríamos.
Saem acessórios e entram os pijamas, sejam de tipo engraçado, sexy, destroçado… para combinar com as “lives” do Caetano.
A pilha de livros separados para ler, sabe Deus quando, vai diminuindo em doses tímidas, nos vinte minutos diários para ler só o que estou a fim.
Sai o faz de conta e permanece o que realmente é.
Sai o açúcar (ao menos em parte) e entra a fruta natural… como é legal e gostoso o que é natural. E isto se aplica também ao que não é alimento.
Cá pra nós, entre todos os sustos e surtos, dois mil e vinte veio pra mostrar que não dá pra seguir adiante sem fazer a lição de casa.
E a lição de casa é conhecer-se um pouco mais, a cada dia, ficar um pouco mais parecidos com nossa essência. Ser nossa melhor versão.
Já não temos desculpas para não manter a casa em ordem, seja física, seja nossa cabeça ou nosso coração.
Que o tão próximo 2021 nos permita sermos mais autênticos, responsáveis, generosos, solidários, flexíveis e resilientes.
Que nos permitamos ser mais parecidos com tudo que desejamos ser e ter admirado em nós.